As cores do caos e do ócio

A crueldade da rotina é sufocante, a criatividade, o brilho das idéias e da contemplação, tudo de mais sublime e valioso na condição humana é suprimido pelo ritmo das engrenagens que regem a necessidade de subsistência.
Tudo isso é um paradoxo, porque o tempo que me sobra me inquieta, incomoda e frustra, é um tempo difícil, mas é uma dor que me leva enxergar os tons fortes das cores que me pertubam a visão, e sofro por ter que me ver, por precisar me encarar e perceber que há tanto a ser feito e que tão pouco é tudo aquilo que já fiz, e que pretensiosamente julguei muito.
Em dias que me consomem, com atividades que em nada lembram aquilo que sonhei pra mim, a vida parece não estar lá, tenho sempre a sensação de não ter sensação alguma, não há angústia, não há preocupação, nem ao menos questionamento. Dias turbulentos, com o cinza do caos, da rotina atribulada, para mim, passam em branco.

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