O ônibus lotado chacoalhava em meio à imensidão de concreto sufocante. Pontes e viadutos se sobrepunham e ela se sentia cercada, presa. O tempo chuvoso acentuava o tom cinza daquelas construções, daquela cara metropolitana tão evidente.
Nada, exceto algo incomum, ou seria algo comum? A poesia se faz conhecer e reconhecer, mesmo pintada no concreto. Eram palavras de conforto, palavras de esperança, palavras que destoavam brutalmente daquela tarde, daquele lugar… Eram palavras de “Gentileza”. Pintadas em vigas de viadutos, em meio a todo aquele caos do Rio de Janeiro.
De um português “agramatical”, de uma religiosidade fanática e exacerbada, de uma coerência completamente incoerente. Mas eram palavras de “Gentileza”! Palavras de uma língua sublime, de uma fé admirável e de uma intuição verdadeira.
As palavras de “Gentileza” estampadas no concreto carioca alegraram seu dia, colocaram-lhe no rosto contraído um sorriso. As palavras de “Gentileza” a poesia em meio ao caos.
Rayssa Medeiros
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