Sempre me perguntei o sentido do amor verdadeiro… Acho que o descobri, há mais ou menos um ano atrás.
Estávamos todos ainda muito abalados com a morte de meu avô, e minha avó distribuía entre a família pertences dele, que ela gostaria que ficassem com quem pudesse ainda utilizá-los. Ao meu ver era como se ela quisesse dar continuidade aos hábitos de meu avô, como se ao utilizarmos aqueles objetos pudéssemos mantê-lo vivo no nosso dia-dia. E assim foi: Sapatos ao meu tio, um terno ao meu irmão, entre outros souvenires que foram distribuídos entre todos.
Eu, no entanto nada recebi dos objetos de meu avô. Recebi, porém, algo muito mais valioso. Minha avó veio até mim, me entregou uma caixinha, outra à minha irmã e disse: “Esses aqui são para vocês duas.”
Não entendi bem o que poderia ser, afinal o que meu avô teria que coubesse naquela caixinha decorada? Ao abrimos vimos o que havia alí, pequenos colares antigos alguns de pérolas e outros dourados com pedrinhas coloridas. Então minha avó explicou-nos o presente: “ São minhas bijouterias, pra vocês por que eu não tenho mais para que usar.”
Esse episódio poderia sim,passar despercebido afinal eram apenas bijouterias… Mas não, não eram apenas bijouterias, era muito mais que isso. Minha avó entregou nos naquele dia, dentro daquelas caixinhas, a sua própria vaidade. Numa certeza absoluta que só quem encontra o amor pode ter. Ela mostrou-se realizada, plena no amor como eu jamais imaginaria, que alguém pudesse se sentir; desprendendo-se de sua própria vaidade com toda a certeza de que o amor já aconteceu em sua vida. Naquele dia eu encontrei a resposta para a minha pergunta. Por que o sentido do amor é doação. Minha avó doou-se para o meu avó até depois que ele partiu.
Naquele dia minha avó me deu o maior presente que eu poderia ganhar. Ela me respondeu uma das maiores perguntas para a qual muitas pessoas passam a vida procurando a resposta.
Rayssa Medeiros
Junho 23, 2008 às 3:22 pm |
Perfeito Rayssa! Adorei a crônica viu. Muito sucesso p ti
Junho 24, 2008 às 5:13 pm |
O que eu posso dizer, a não ser concordar com Polly?
Além do mais, é uma história linda!
Beijos!
Julho 1, 2008 às 12:36 am |
Lindo, lindo, lindo.
Voltarei mais vezes.
Julho 1, 2008 às 2:40 am |
já tinha lido no teu outro blog e achado lindo demais.
e ainda tive a chance de ver as pérolas ao vivo
parabéns, Rayssa! você vai longe…
morro de orgulho!