É fato que a juventude tem sim, seus encantos. Mas nos dias de hoje, o que vemos em toda parte são crianças e adultos que se recusam a aproveitar seu momento. A mídia, cada vez mais, muda seu padrão de idealização. Onde antes viam-se telenovelas e programas que colocavam a família como ideal de felicidade, hoje vêem-se seriados teen. A indústria americana, fatura milhões com filmes ambientados na “high school”, que são mais baratos de serem produzidos, e acertam em cheio um público ávido por viver uma vida “jovem” e cheia de aventuras.
A revolução social pela qual passamos, desobrigou-nos a casar, ter filhos; esse processo teve um efeito inegavelmente positivo, ao admitir novas formas de vida em sociedade. E prolongou o efeito “jovem” da solteirice. O grande problema, começa quando a mídia entra no jogo.
Através de toda sorte de mensagens midiáticas, o que se vê são crianças vestidas como adolescentes, que não mais brincam de esconder, de roda ou de mamãe e filhinha. Crianças que possuem bonecas de cabelos coloridos, roupas brilhantes e slogans como “ela vai se acabar na pista”. O que se vê são adultos deprimidos, infelizes com a sua condição de serem adultos. E cada vez mais, jovens que não sabem o que fazer com toda essa euforia que envolve a juventude; jovens cada vez mais perdidos e frustrados, por que não entendem como podem ser jovens, e não se sentirem perfeitamente felizes o tempo todo. Parece que num tempo onde se “respeita e valoriza” a diferença, esqueceram de incluir a questão do momento como um ponto a ser considerado. Talvez se começarmos a reconhecer a beleza de cada idade, tenhamos uma sociedade mais equilibrada e menos distorcida.
Rayssa Medeiros
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