Famílias ocupam hotel abandonado

março 30, 2011

Prédio localizado no Cabo Branco passou a abrigar pessoas que não têm condições de pagar aluguel
Rayssa Medeiros // Especial O Norte

Lixo, dejetos, uma construção em ruínas e crianças que brincam indiferentes aos riscos que as rodeiam. Esse é o cenário em um hotel abandonado no Altiplano Cabo Branco. Famílias inteiras hoje usam o hotel, cuja construção foi interrompida, como moradia. Sem condições de pagar aluguel, a família de Josué Ricardo de Oliveira, 45 anos, mudou-se do bairro de Mangabeira para o prédio há três meses. Josué, que é ambulante, trouxe mulher, duas filhas, genros e netos. Eles ocuparam os quartos da construção e vivem sem água encanada e saneamento básico.


Mulher varre sujeira em ruínas de prédio abandonado, no Pólo Cabo Branco. Foto: Fabyana Mota/ON/D.A Press.

Djanete, 50 anos, auxiliar de cozinha, ficou desempregada e sem alternativa se viu obrigada a ir morar no local junto com as duas filhas adolescentes. Uma adolescente de 14 anos mudou-se com o marido e a filha de 1 ano e 5 meses por causa das brigas frequentes na casa dos sogros. Sem dinheiro para alugar um lugar para morar eles se mudaram para o hotel.

A construção abandonada sofreu os efeitos da erosão e apresenta sinais de desabamento. Lages apodrecidas, grandes buracos no chão, rachaduras no teto e nas paredes revelam a ameaça. Os adultos dizem que a cada chuva a tensão aumenta. “Sempre que chove, a gente não dorme, passamos a noite acordados.”, conta Cícero de Lima Silva, 35 anos.

Além dos riscos de desabamento a construção tem grandes fossos destinados a elevadores, que os moradores taparam com tábuas para diminuir o risco de acidentes com as crianças. O ambiente insalubre atrai ratos e baratas que se juntam às muitas ameaças à saúde dos moradores.

A segurança também é uma preocupação. “Não temos medo das pessoas daqui, mas pode aparecer gente de outros lugares e aqui é quase tudo aberto”, diz Thiago da Silva Pessoa, 24 anos. Casado com Josenilda Paes de Oliveira Pessoa, 19 anos, Thiago é um dos genros de Josué e conta que a família e a vizinha Djane sempre revezam a vigilância quando saem de casa. “Quando vamos à igreja sempre fica alguém para garantir que nada ruim vai acontecer”. Djane, preocupada com a segurança das filhas adolescentes, vai levar e buscar a mais nova na escola. “Nunca deixo elas sozinhas. Elas passam a maior parte do tempo trancadas aqui, porque tenho medo, elas são mocinhas, aqui pode entrar gente que não conhecemos”. Sem água encanada os moradores dependem da solidariedade de uma vizinha que mora no terreno ao lado para conseguir água. Em troca eles tiram do pouco que têm para ajudá-la. “Todo mundo aqui ajuda”.

 

Cidadania negada

Ao se mudar para o hotel não foi apenas a casa que as famílias que moram no local perderam. Muitas tiveram negado seu direito à cidadania. Djane conta que ao tentar matricular a filha de 13 anos na escola do bairro foi impedida e só após ameaçar chamar o conselho tutelar conseguiu uma vaga. “Quando eu disse que morávamos aqui eles não quiseram deixar eu matricular a minha filha, disseram que o pessoal que morava aqui não queria estudar, era bagunceiro”. Apesar da humilhação e do constrangimento Djane garantiu a vaga da filha, mas Josenilda e Thiago não tiveram a mesma sorte. “Procuramos vaga pro nosso filho na creche, para a minha mulher poder voltar a trabalhar como diarista, mas não aceitaram ele porque a gente mora aqui.”, conta Thiago.

Iara Paes de Oliveira Lima, 20 anos, casada com Cícero e filha de Josué diz que o atendimento no posto de saúde mais próximo também é dificultado. “Sempre dizem que não é lá”, diz.

 

Sem solução à vista

As secretarias de Habitação e de Desenvolvimento Social da prefeitura disseram desconhecer a situação das famílias no local. Segundo a diretora do departamento de política de assistência especial da prefeitura, Benedita Silva Rodrigues, e o secretário municipal adjunto de Habitação Social, Gildimar Alves dos Santos, as famílias devem se dirigir à secretaria de Habitação Social, portando RG e CPF para se cadastrarem no “Minha Casa Minha Vida”.

Alguns moradores dizem já estar cadastrados em programas de habitação popular há anos e nunca terem sido contemplados. É o caso de Cícero que diz estar há 10 anos esperando por uma moradia popular. Outros, sem documentação e sem dinheiro para solicitar os documentos, seguem sem conseguir realizar o cadastro.

Quanto às condições de vulnerabilidade social em que as famílias se encontram, Benedita diz não haver nenhum programa que possa resolver a situação em caráter emergencial. “O auxílio moradia só é destinado às famílias que são obrigadas pela Defesa Civil a desocuparo imóvel”. Ela disse ainda que mesmo em caso de desocupação o auxílio só contempla proprietários de imóveis.

Matéria que fiz para o Jornal O Norte, publicada no último domingo, dia 27. É triste saber que há tantos casos como esses. Mas ser jornalista é ter esperança de que, talvez, se todos souberem , nós possamos juntos mudar alguma coisa.  Esse é o link da matéria no site do O Norte http://www.jornalonorte.com.br/2011/03/27/diaadia4_0.php

Consumidora cria site para reclamar da Renault e Justiça manda tirar do ar

março 16, 2011
Gente, a matéria abaixo é de Simão Mairins e foi publicada no Portal Administradores.
É por essas e outras que pouco temos a comemorar e muito a conquistar como consumidores.
Rayssa Medeiros

Autora do protesto recorreu da decisão e diz que vai manter página no ar, mesmo com o risco de ter de pagar multa diária de R$ 100

Por Simão Mairins

www.administradores.com.br

O site www.meucarrofalha.com.br, criado pela consumidora Daniely Argenton em protesto contra a fabricante de carros Renault vem causando um burburinho grande na web. Agora, por decisão judicial, a página e os perfis criados nas redes sociais deverão ser retirados do ar. A medida foi expedida ontem (14) e determinou a retirada em um prazo de 48h, sob o risco de multa diária de R$ 100, em caso de descumprimento. No Twitter, entretanto, Daniely afirmou que vai manter o protesto até que seu recurso seja julgado.

Dona de um modelo Megáne Sedan 2.0, a consumidora explica, que comprou o veículo há quatro anos e, desde os primeiros dias de uso, ele apresentou falhas que comprometiam a segurança dos usuários.

“Criei o site por entender que, nos dias atuais, a internet é o meio mais eficaz de divulgação e defesa de direitos não respeitados”, afirma Daniely, em entrevista exclusiva ao Portal Administradores.

Confira abaixo a entrevista completa.

Por que a ideia do site? Você acha que, com ele, vai solucionar mais facilmente seu problema?

Criei o site por entender que, nos dias atuais, a internet é o meio mais eficaz de divulgação e defesa de direitos não respeitados. Compreendo que a divulgação ajuda na solução, porque as empresas tomam conhecimento e precisam agir de forma mais rápida e com real vontade de resolver. Afinal de contas, não é mais só o consumidor que exige uma resposta, passam a ser milhões de consumidores que querem saber a postura que a empresa adota em casos assim. Pretendo, com o site, ser um meio de defesa de consumidores que, assim como eu, foram seriamente desrespeitados por empresas que ainda não compreenderam a evolução e a nova consciência do consumidor brasileiro.

O site gerou alguma iniciativa da empresa no sentido de auxiliá-la e resolver o seu problema?

Sim, entraram em contato. Porém, ainda não há qualquer posicionamento nem apresentação de solução.

Vimos que a Justiça determinou que o seu site seja retirado do ar, bem como os perfis nas redes sociais. O que você achou da medida?

Em minha opinião, tenho o direito, constitucionalmente previsto, de expressar-me, como fiz, sem qualquer ofensa nem exacerbação. Não tenho a intenção de macular a imagem da empresa, apenas de contar minha história e demonstrar minha insatisfação.

Você recorreu da decisão?

Está com meu advogado.

Um cliente da Brastemp, há alguns meses, teve uma iniciativa parecida com a sua, por conta de um refrigerador com defeito. Você acha que, com a popularização da internet e o crescimento das redes sociais, fica mais fácil de os clientes serem ouvidos?

Com certeza. A internet e o Twitter são, definitivamente, os novos canais de reclamação e, principalmente, defesa do consumidor. Aproveito a oportunidade para agradecer, com profundo respeito, cada uma das mensagens recebidas. Agora, mais do que nunca, temos voz e meio de ação.

A redação do Portal Administradores entrou em contato com a assessoria de imprensa da Renault, mas não obteve resposta até a publicação da matéria.

No link abaixo, o posicionamento que a assessoria da Renault me enviou. Entrou em separado porque a resposta só chegou depois que a primeira matéria foi ao ar.

http://www.administradores.com.br/informe-se/cotidiano/renault-se-posiciona-sobre-reclamacao-da-criadora-do-site-www-meucarrofalha-com-br/43391/

Pra caber nas canções

março 15, 2011

Faz parte da minha reinvenção me reconhecer em novas canções, é assim que me sinto viva. Cada vez que a minha história cabe em versos antes desconhecidos sinto que ela pulsa!

ps: E os responsáveis por esse post (além do óbvio, o objeto do meu amor) são Xisto Medeiros e Astier Basílio com a linda “Só por ser e estar”.

Dedos cruzados

março 14, 2011

Bons presságios… Agora é pedir aos céus que se concretizem…

Migalhas…

março 11, 2011

Fui descartando sonhos ao longo do meu caminho, mas agora, como migalhas comidas por pássaros, eles já não estão mais lá, e me perco ao voltar pra procurar por quem eu sou…

Músicas para mimar: a herança musical

agosto 26, 2010

Quantos de nós já não fomos ninados por nossos pais com aquelas cantigas que adorávamos? E quantos pretendemos continuar fazendo com nossos rebentos? Pois é, embalar os filhotes com melodias tranqüilas (ou não) é um hábito saudável, que pode reforçar a afetividade entre pais e filhos. Afinal por mais desafinado que seja o abobalhado pai, não há som que a criança ame mais no mundo. Pois bem, some-se isso a um pai mega talentoso e o resultado será não apenas um pimpolho embalado, como o mundo suspirando e participando daquela relação tão íntima. Pais famosos no mundo da música costumam imortalizar seus herdeiros com lindas canções que nos deixam com uma pontinha de inveja (Poxa, meus pais bem podiam ser compositores, né não?). E é pra falar desses pais que presentearam seus filhos com a beleza imaterial, e em alguns casos perpétua, da música que eu escrevo hoje. Há vários exemplos de belas canções feitas por excelentes artistas para os seus pequenos, mas escolhi 4 lindíssimas músicas, com histórias igualmente belas, pra mostrar sobre o que estou falando.

“To Zion” de Lauryn Hill

A cantora de hip hop e soul, ex-integrante do The Fugees (grupo que a projetou, com a regravação do single “Killing me softly” de Roberta Flack), Lauryn Hill fez uma linda homenagem ao seu primogênito Zion, que teve com ninguém menos que Rohan Marley. O guri tem sorte, neto de Bob Marley e filho de Lauryn Hill.

Na época em que engravidou de Zion, Lauryn tinha um relacionamento complicado com Rohan, que era casado com outra mulher, estava no começo de sua carreira e uma gravidez estava completamente fora dos planos. Por isso mesmo Lauryn manteve em segredo a identidade do pai do bebê. Muitas pessoas, inclusive amigos próximos, aconselharam a cantora a fazer um aborto, mas ela decidiu ter a criança. É sobre essa experiência que Lauryn fala em “To Zion”, com uma letra lindíssima, onde ela diz ter recebido conselhos para “usar a cabeça, mas decidiu usar o coração. E agora a alegria do seu mundo está em Zion”. Ela ainda faz declarações de amor ao filho, agradecendo a Deus por ter sido “escolhida pra trazer ao mundo esse lindo reflexo de sua graça”. Bom, a música é realmente linda, está no premiado (e incrível de tão bom) disco “The miseducattion of Lauryn Hill”, e só tem uma contra-indicação, a quem ainda não planeja iniciar a prole, pois pode causar um desejo incontrolável de perpetuar os genes! E a título de curiosidade, Lauryn e Rohan acabaram se casando e hoje, incluindo Zion, tem 5 filhos.

“Oito anos” e “Barcelona 16” de Paula Toller

Gabriel, filho de Paula Toller com o cineasta Lui Farias, também é o que podemos chamar de uma boa fonte de inspiração materna. Paula compôs duas músicas para o seu pequeno, “Oito anos” e “Barcelona 16”.

A primeira é sobre as inquietações de Gabriel, que muito bem se aplicam a qualquer criança dessa idade. Em uma série de questionamentos embalados em uma melodia alegre, Paula consegue nos deixar com aquele suspirinho de emoção. A música é tão linda que já ganhou outra versão, de Adriana Calcanhoto em seu disco Partimpim (que, na minha opinião, é melhor do que a de Paula). Mais recentemente ela compôs “Barcelona 16” pra falar daquele segundo corte do cordão umbilical, mais especificamente do segundo parto que ela cita na música e diz não saber que existisse. Muitas pessoas acham essa uma de suas melhores composições, eu mesma prefiro “Oito anos “, mas cada um com seu cada qual. Na dúvida confiram as duas que valem a pena!

Preferi colocar a versão de Adriana Calcanhoto, por preferência minha, como já disse #D

“Espatódea” de Nando Reis

A pequena Zoé não foi a primeira filha pra quem Nando Reis compôs uma música, pelo contrário, foi a última. Caçula de 4 irmãos, Zoé despertou o desejo de ter uma música feita para ela, pelo papai famoso, aos 5 anos, quando Nando compôs “O mundo é bão Sebastião” pra Sebastião, um pouco mais velho que a caçula. Nando contou que Zoé sempre perguntava, “Papai, quando você vai fazer uma música o “O mundo é bão, Zoezinha?””. Aí ele viu que era hora de homenagear a sua caçula.

Como Zoé é a única dos 4 filhos que se parece fisicamente com ele, (cabelos ruivos e pele branca) Nando fala dessa semelhança, e a compara com a espatódea, que é uma árvore cuja flor é da mesma cor dos cabelos da perguntadeira Zoé. Ele ainda fala sobre a origem do nome da pequena, e conta que mesmo chegando em uma casa onde já haviam 3 filhos, ela mudou sua vida. Ah, e o nome dela vem ao final da música para que ela pudesse comprovar pros amiguinhos do colégio que a música era mesmo para ela.

Espatódea é uma das músicas mais lindas que já vi serem deixadas de herança, e com certeza, quando crescer, Zoé terá a exata dimensão do que seu pai lhe deixou.

“Tears in heaven” de Eric Clapton

Você com certeza já ouviu essa música, e mesmo deve ter ouvido sobre a história dela, mas como é uma música que me emociona muito resolvi que ela é suficientemente relevante e deveria estar aqui. Eric Clapton compôs essa obra prima em 1991, como catarse pra superar a morte de seu filho Conor, que contava apenas 4 anos na época do falecimento. Conor caiu do 52º andar, quando a empregada da família deixou a janela parcialmente aberta. A fatalidade levou a empregada a um colapso nervoso e a mãe do menino, Lori Del Santo, ao desespero. Eric, no entanto, resolveu homenagear o filho e escreveu “Tears in Heaven”, que a princípio não seria divulgada. A mãe de Conor se recusou a ouvir a canção quando Eric a compôs.

Em “Tears in Heaven” Eric fala sobre como seria encontrar com o filho no paraíso, e diz que tem que ser forte pra prosseguir, pois, ao contrário de Conor, ele ainda não pertence ao paraíso. Ele arremata dizendo que não haverá mais lágrimas no paraíso.

E se a própria melodia da música já me deixava com lágrimas nos olhos, ao entender a letra, anos mais tarde, essas lágrimas caíram, e depois quando soube de todo o contexto, aí então me emociono mais. Porém tenho a certeza de que esse foi um lindo caminho, não apenas para superar a dor, mas para presentear o pequeno.

Rayssa Medeiros

As cores do caos e do ócio

agosto 19, 2010

A crueldade da rotina é sufocante, a criatividade, o brilho das idéias e da contemplação, tudo de mais sublime e valioso na condição humana é suprimido pelo ritmo das engrenagens que regem a necessidade de subsistência.
Tudo isso é um paradoxo, porque o tempo que me sobra me inquieta, incomoda e frustra, é um tempo difícil, mas é uma dor que me leva enxergar os tons fortes das cores que me pertubam a visão, e sofro por ter que me ver, por precisar me encarar e perceber que há tanto a ser feito e que tão pouco é tudo aquilo que já fiz, e que pretensiosamente julguei muito.
Em dias que me consomem, com atividades que em nada lembram aquilo que sonhei pra mim, a vida parece não estar lá, tenho sempre a sensação de não ter sensação alguma, não há angústia, não há preocupação, nem ao menos questionamento. Dias turbulentos, com o cinza do caos, da rotina atribulada, para mim, passam em branco.

Banheira

maio 18, 2010

Ele quis ir,

Ela não quis deixar.

Ele a repudiou.

Ela implorou.

Ele jurou nunca mais voltar.

Ela jurou nunca mais repetir o erro.

Ele disse que era tarde.

Ela disse que nada havia tido significado.

Ele saiu porta afora.

Ela permaneceu no chão ainda com o rosto quente.

Ele ainda sentia a mão latejar quando pegou ao volante.

Ela ainda sentia o corpo lascivo e sujo da vergonha descoberta.

Ele manteve os pensamentos atormentados nela e no outro…

Ela quis sufocar de arrependimento embora tivesse a carne satisfeita.

Ele, dentro do jipe velho, não viu a linha, não ouviu o trem.

Ela esfolou a carne e não conseguiu tirar de si aquelas marcas

Ele foi arrastado, trucidado, teve sua carne confundida com os destroços da lataria.

Ela sufocou, se afogou e morreu embebida em sua culpa na banheira do hotel.

“Rayssa Medeiros”

Esse conto fiz pra uma das reuniões do Clube do Conto, às quais nunca mais frequentei e das quais morro de saudades. O tema proposto foi “banheira”.

Um pobre órfão…

maio 18, 2010

Milhares de anos sem postar aqui, e faria até mais sentido criar um novo espaço. Mas com tantas coisas inacabadas por aí afora, não tem sentido algum refazer um blog.

Porque não dar novamente vida a esse pobre coitado? Então, por hoje é isso. Mas em breve volto pra devanear um pouco mais, não que isso interesse a alguém, de qualquer maneira externar me faz bem. Sejam meus contos e poemas sem pé, nem cabeça nem nada, ou qualquer outra viagem sem nexo.

Palavras de “Gentileza”

novembro 29, 2008

O ônibus lotado chacoalhava em meio à imensidão de concreto sufocante. Pontes e viadutos se sobrepunham e ela se sentia cercada, presa. O tempo chuvoso acentuava o tom cinza daquelas construções, daquela cara metropolitana tão evidente.

 

 

 Tudo inspirava desconforto, a temperatura do ar, o contato forçado com pessoas geladas e indiferentes. O cansaço do dia incomum em uma cidade estranha. Nada poderia agradá-la naquela tarde hostil.

 

Nada, exceto algo incomum, ou seria algo comum? A poesia se faz conhecer e reconhecer, mesmo pintada no concreto. Eram palavras de conforto, palavras de esperança, palavras que destoavam brutalmente daquela tarde, daquele lugar… Eram palavras de “Gentileza”. Pintadas em vigas de viadutos, em meio a todo aquele caos do Rio de Janeiro.

 

De um português “agramatical”, de uma religiosidade fanática e exacerbada, de uma coerência completamente incoerente. Mas eram palavras de “Gentileza”! Palavras de uma língua sublime, de uma fé admirável e de uma intuição verdadeira.

 

As palavras de “Gentileza” estampadas no concreto carioca alegraram seu dia, colocaram-lhe no rosto contraído um sorriso. As palavras de “Gentileza” a poesia em meio ao caos.

 

 Rayssa Medeiros

 


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.